Preferência

Qual a necessidade de dizer: “ai, eu gosto mais desse”?
Num sentido psíquico, qual seria a razão de elevar uma determinada opção a um patamar superior? Dizem que o intelecto funciona como um fluxo complexo de dados, e daquelas sensações que julgamos “boas” só restará a mente o desejo de repetir a ação, alguns extremamente apegados outros menos.
Ao meu ver não acho necessário, e nem benigno, o ato da preferência. Vejo o mundo, e todas suas possibilidades, como um leque do mais gigantesco possível, onde a vivência de cada ato, cada segundo pode ser um novo sopro de ar fresco, especialmente quando a mente não está viciado num ciclo vicioso de pensamentos e desejos.

Ultimamente tenho lido o Tao Te Ching, e aos poucos desbravo os delicados e sutis ensinamentos chineses, cheios de mistério porém lotados de simplicidade.

(Cap.48)

“Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.
E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-acção.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.”

Não há comentários neste artigo.

Deixe uma resposta